2009-02-05

it's your age, it's my rage.

- Ele tem o dobro da sua idade!
- E daí?
- Ele nem faz o seu tipo!!
- E daí??
- Ele é seu...
- Cala a boca! Alguém pode te ouvir.

my age, is it your rage?

trezentos e sessenta e cinco dias no ano

e um só sentimento: o da angústia de te esperar.

vem logo, estarei no aeroporto com aquele vestido bordô que você tanto gosta.

2009-02-03

que medo alegre, o de te esperar.

perder-se também é caminho.

- Eu não te amo, entenda. Não posso amar você. Não consigo.
- É, eu sei.
- Se sabe, porque me pede para ficar?
- Porque eu quero te ajudar.
- Mas eu sou feliz assim...
- Não, você não é.
- ...
- Você é apenas uma linda garota com um coração vazio.
- Você está me magoando.
- Eu sei.
- Me deixa ir.
- Me deixa te ajudar. Me deixa te ensinar...
- Não. Não quero.
- ?
- Amar dói e encontrar o amor, dói mais ainda.
- Entendo...
- Se perder também é caminho.

2009-01-28

um peito oco, sem inspiração.

sabe, esta é a milésima vez que digito coisas idiotas e apago.
acho que falar sobre nada é tão interessante.
então falemos sobre o nada.
melhor do que falar sobre o amor, a dor, a pancada.
melhor do que falar sobre filosofias baratas ou caras.
melhor do que qualquer coisa que distraia qualquer um por um segundo sequer.
brindemos a falta de assunto, a falta de apetite, a falta de amizade.
comemoremos aniversários passados, datas esquecíveis e pontos facultativos.
façamos nada e deixemos que o nada nos invada por inteiro.
vivamos o nada.
amemos o nada.
logo, seremos nada.

2008-12-10

o próximo trem já vai chegar e eu ainda estou esperando alguém vir para me dar "tchau". ah, eu nem trouxe um lenço. eu devia ter um lenço. para poder acenar do trem, sabe. olha, estou ouvindo o barulho do trem. as árvores balançando com o vento. o sino anunciando a chegada. as pessoas começam a se despedir. é hora do adeus. e eu nem tenho alguém para me dar um abraço. para dizer "volta logo". o trem chegou. e agora, o que é que eu faço? subo, ué. ele vai diminuindo a velocidade, parando, parando... pronto, parou. o maquinista olha os passageiros subindo. olhos caídos, face cansada. há quanto tempo ele está dirigindo esse trem? não sei. um homem vai recolhendo os bilhetes, carimbando-os. os passageiros entrando. está na hora. eu tenho que subir também. o sino tocando mais forte agora. o homem agilizando os passageiros, o trem precisa partir. preciso subir. tenho que subir. um homem idoso vem correndo do outro lado da plataforma e pede que o homem do blihete espere. ele fala para o homem vir mais rápido. mas o outro é tão idoso. como ele vai correr mais rápido? não sei. o homem idoso entrega o bilhete todo amassado ao outro homem. ele olha o bilhete, carimba e manda o homem subir. o homem me olha com uma cara estranha. eu estou chorando! meu Deus, eu estou chorando e nem percebi! o homem me pergunta se eu vou subir. minha boca não se abre. não consigo responder. minhas pernas, paradas, estáticas, imóveis. o homem me ignora. e vai. o trem começa a se mover lentamente. acelera pouco a pouco. parentes e amigos choram a partida de pessoas que acenam com lenços à janela. a plataforma vai se esvaziando. e eu fiquei. como assim? não sei. fiquei. o orelhão da plataforma toca. não há ninguém ali. eu atendo. - alô, destino? desculpa, vou me atrasar. permaneci ali, por horas. então, subitamente, aparece alguém. - tem alguém vindo - meu alguém falou. estou vendo. - não há nada ali para ser visto. desculpa. chegou tarde demais.

adeus.

o próximo trem já vai chegar e eu ainda estou esperando alguém vir para me dar "tchau". ah, eu nem trouxe um lenço. eu devia ter um lenço. para poder acenar do trem, sabe. olha, estou ouvindo o barulho do trem. as árvores balançando com o vento. o sino anunciando a chegada. as pessoas começam a se despedir. é hora do adeus. e eu nem tenho alguém para me dar um abraço. para dizer "volta logo". o trem chegou. e agora, o que é que eu faço? subo, ué. ele vai diminuindo a velocidade, parando, parando... pronto, parou. o maquinista olha os passageiros subindo. olhos caídos, face cansada. há quanto tempo ele está dirigindo esse trem? não sei. um homem vai recolhendo os bilhetes, carimbando-os. os passageiros entrando. está na hora. eu tenho que subir também. o sino tocando mais forte agora. o homem agilizando os passageiros, o trem precisa partir. preciso subir. tenho que subir. um homem idoso vem correndo do outro lado da plataforma e pede que o homem do blihete espere. ele fala para o homem vir mais rápido. mas o outro é tão idoso. como ele vai correr mais rápido? não sei. o homem idoso entrega o bilhete todo amassado ao outro homem. ele olha o bilhete, carimba e manda o homem subir. o homem me olha com uma cara estranha. eu estou chorando! meu Deus, eu estou chorando e nem percebi! o homem me pergunta se eu vou subir. minha boca não se abre. não consigo responder. minhas pernas, paradas, estáticas, imóveis. o homem me ignora. e vai. o trem começa a se mover lentamente. acelera pouco a pouco. parentes e amigos choram a partida de pessoas que acenam com lenços à janela. a plataforma vai se esvaziando. e eu fiquei. como assim? não sei. fiquei. o orelhão da plataforma toca. não há ninguém ali. eu atendo. - alô, destino? desculpa, vou me atrasar. permaneci ali, por horas. então, subitamente, aparece alguém. - tem alguém vindo - meu alguém falou. estou vendo. - não há nada ali para ser visto. desculpa. chegou tarde demais.