2014-05-19

sentidos.

Desperto. Ainda não abri os olhos, apenas reacendi meus sentidos e, ainda preguiçosa, passei a me atentar ao que acontecia ao meu redor antes mesmo de abrir os olhos e me levantar. No segundo em que me percebo desperta, meu primeiro pensamento é você. E então, como que uma reação biológica do meu corpo ao seu nome, sinto um calor tomando minhas veias e artérias, como que eletricidade acendendo cada um dos meus sentidos e calibrando-os ao nosso amor. A partir disso, passo a sentir tudo: o calor do seu corpo enlaçado ao meu, sua respiração calma na minha nuca, o peso e força do seu braço sobre o meu tórax, o conforto dos seus pés quentes tocando os meus, a pressão da sua mão contra a minha... Tato. Numa nova onda elétrica, dessa vez acendendo meu olfato, sinto seu cheiro. Não os resquícios do seu perfume (que eu adoro), não é isso. É o cheiro que saí dos teus poros, na sua transpiração, o perfume natural que repousa ali, impregnado na pele que eu não canso de afagar. Essa sensação inebriante causada pela sua essência desenha em meus pensamentos um caminho deliciosamente delicado até minha memória gustativa, um misto de sabores e texturas que compõem o que aqui não dou um nome ou dois, apenas chamo de você. O gosto teu, o seu sabor. Minha boca se enche d’água ao retomar o roteiro do último beijo de boa-noite, como que se estivesse se preparando para um alimento – e está. O meu amor por você começa antes mesmo que eu abra meus olhos. Quando eu finalmente o faço e te vejo ali, descansando sereno, com os lábios entreabertos, os olhos se movendo lentamente em sonhos diversos, um respirar plácido... Ali, bem ali, eu já sabia que te amava. Antes mesmo dos seus verdes olhos se abrirem como um sorriso, antes mesmo de se fecharem novamente para então os lábios esboçarem um sorriso, ainda antes do seu primeiro “bom dia” e também antes do nosso primeiro beijo, antes mesmo de me dar conta de mim mesma, eu já te amava. E sei disso sem nenhuma certeza, mas afirmo com total convicção e, sim, é uma incoerência, mas o amor o é. Então alicerço meus sentidos e sentimentos no verbo amar, em plena consciência de que o amor não é uma certeza, mas estar amando é. E assim te confesso: desejo um mundo feito só do seu abraço. Desejo não precisar caber nosso amor somente no escrito ou falado “eu te amo”. Desejo amanhecer mais dias ao seu lado, em que a maior distância entre nós seja a de um abraço. Desejo que prefiramos ser cobertos de beijos do que de razão. Desejo que nos tratemos sempre com preciosismo, envolvimento e parceria. Desejo que desejemos sempre a simplicidade: dormir juntos, acordar juntos, ficar juntos e o que mais o futuro juntar. Desejo mais de nós: enlaçados na cama e na vida, dormindo e acordando agarrados, fazendo cafunés, dividindo o dia-a-dia, compartilhando medos e segredos, construindo sonhos e planejando o futuro. Desejo mais de nós dois no sofá da sua casa ou na minha cama apertada, partilhando amor a todo momento, não só quando bater a carência numa tarde fria ou num domingo à noite. Desejo mais que desejar: desejo que realizemos tudo isso. E que meus sentidos sempre encontrem os seus, como nessa manhã e na manhã de ontem, na de anteontem e na de todas as outras. E que, no fim das contas e no início delas, o que importe é que nos amamos. É o que fizemos no nosso amor. É a nossa conexão, são os nossos sentidos, ou como você diz, o nosso cheiro.  

2014-05-16

o que ele me disse.

"Fechar os olhos e pensar em você, é como fechar os olhos em uma tarde ensolarada e sentir os cálidos raios de sol aquecerem meu rosto. Pensando bem, o nosso amor é como o sol. Ele está presente a todo o momento e em todos os lugares. Seja a pino no pasto sem sombra. Seja tímido na lua minguante. Como o sol, nosso amor é vida. A energia solar, em última instância, é a origem e combustível de todos nós, independente se tenhamos nos dado ou não conta de que é ela que nos move. Como o sol, nosso amor é intenso, absurdamente intenso, o resultado da fusão de milhões de toneladas de hidrogênio por segundo. Tamanha potência facilmente devastaria o que estivesse ao seu alcance. Fosse alguns milhares de quilômetros mais próximo e a Terra seria um inferno de magma. No entanto, como o sol, nosso amor não é devastador. Ele está a uma distância perfeita, em uma órbita perfeita. Condição tão ideal que, às vezes, fica até difícil de acreditar. Mas no final acreditamos. Acreditamos porque percebemos que existe uma infinidade de estrelas no Universo. Uma dessas estrelas, mais cedo ou mais tarde, tinha que fazer um planeta florescer. Calhou de ser o sol. As chances eram mínimas, claro, uma em um bilhão, uma em um trilhão, quem sabe? Pois bem, como o sol, nosso amor é sorte. Para além dessas breves comparações, pensei ainda em outras tantas mais. Contudo, vou parar por aqui. Uma vez que não é preciso explicar o nosso amor. Basta fechar os olhos em uma tarde ensolarada e senti-lo - tão certo como o sol."

2014-04-11

ele.

nuns dias que deito meio cabreira ou tristinha, gosto de ficar encarando o sorriso dele numa foto linda que tenho no meu celular. sorriso gostoso, daqueles que o deixam com os olhinhos meio fechados e formam dobrinhas ao redor das bochechas. o sorriso dele me envergonha, às vezes eu fico até sem graça de parecer boba ou apaixonada demais. gosto de ficar observando sem que ele me note e reparo em cada um daqueles traços, cada um daqueles olhos verde-esmeralda com todos os motivos para me fazer largar tudo e me abandonar. amo as formas que o rosto dele faz de todo e qualquer ângulo, principalmente as que vejo quando estou deitada no peito dele ou quando é ele que deita em meu peito. eu amo e o amo quando fazemos qualquer uma dessas duas coisas. mais ainda quando alternamos entre elas. e mais ainda quando ele solta "hum's" enquanto faço cócegas no braço e nas costas dele. gosto tanto disso quanto gosto de acordar com cuidado e ser a primeira a dizer "bom dia, meu amor!", pouco depois de observar seu sono tranquilo e imaginar se estou em seus sonhos. continuo me dedicando para estar nos sonhos dele, enquanto ele já mora nos meus. continuo tentando desvendar aquelas sobrancelhas misteriosas, aquele silêncio sincero ou as palavras soltas como que se escapulissem num salto: "eu te amo...!". eu o amo. e eu o amo tanto que as outras vezes que falei de amor parecem ter sido só uma coceira no peito, ou tropeço na estrada que trazia até onde estou agora, sentada no sofá, esperando por ele. ele tem um jeito doce que me faz precisar. ele se demora em mim, me traz beijos na testa, no nariz, no queixo e no colo, me morde que as vezes até dói, me aperta num abraço cheiroso, quente, macio, onde eu queria poder morar pra sempre. ele me traz afagos, livros e outro dia até uma rosa amarela. daquelas mãos eu já provei os melhores carinhos e cuidados. ele me fez inquilina de seu corpo e, desde então, todo o tempo fico pensando num jeito de sacudí-lo pra tentar roubar o segredo: como ele fez pra me roubar assim? e a resposta vem simples, num sorriso de 12 graus na escala richter do meu peito: ele se fez, ele é. e só pra terminar esse escritinho bobo, enquanto ele me espera pro jantar, só queria dizer que "eu te amo" é muito pouco pra expressar o tanto temos, somos, nos tornamos e fazemos. "eu te amo" chega a ser banal perto desse derramamento de toques, dedicações, carinhos e sentidos, mas ainda assim insisto em dizer que o amo, que ele é e se fez o dono do meu peito, daqui até o que chamam de "pra sempre".

2014-03-05

pra te dizer que te amo.

Eu te amo, meu amor. Eu te amo desde quando, na primeira vez que andei no seu carro, tocou "The Best Is Yet To Come". Eu te amo toda vez que ouço essa música. Eu te amo desde que subi as escadas rolantes do metrô e te encontrei ali no canto sentado. Eu te amo todas as vezes que desço naquela estação. Eu te amo desde que eu vi você dormindo abraçado comigo. Eu te amo desde que ouvi o seu primeiro "bom dia, lindinha". Eu te amo desde a primeira vez que sua mão repousou na minha perna enquanto você dirigia. Eu te amo desde a primeira tarde de preguiça no sofá. Eu te amo desde que ouvi sua voz. Sussurrando ao pé do meu ouvido. Cantando no carro. Conversando comigo. Eu te amo desde que cozinhamos juntos aquele primeiro jantar. Eu te amo desde que soube que temos o mesmo gosto para filmes (exceto os da Keira). Eu te amo desde que soube que, um dia, eu vou te ensinar a dançar. Eu te amo desde que soube que você me ama, ainda que eu tenha medo e inseguranças (mas vai passar, eu juro). Eu te amo desde que vi seu sorriso. Olhei seus olhos verdinhos, feito uma plantação de alegria. Encostei minha cabeça em seus ombros. Sorri te beijando. Te abracei na escada rolante do metrô. Dormi e acordei abraçada contigo. Assim, desde que te vi. Eu te amo, meu amor. Desde a primeira vista e em todas as outras. 

2014-01-31

das nossas cores.

enquanto o café esfria, paro por um instante para pensar sobre as cores que você pinta em mim. o verde dos teus olhos meigos, o vermelho das suas mordidas e beijos, o branco do teu sorriso doce... cores de carinho, como que se dissessem "eu amo você" e "saudades, minha linda". no instante seguinte, revejo os dias que compartilhamos. revejo a organização do meu universo e a do seu, e vejo como, juntos, desalinhamos nossos planetas de uma forma bonita, harmônica, perfeita. nosso amor é perfeito como um dia de sol cor de laranja, quase vermelho, pincelado com tons de rosa. o mesmo rosa que me esquenta quando despertamos enlaçados e, ainda preguiçosa e sonolenta, sinto minha pele e sentidos e coração aquecidos pelo amor que nos transborda em formas de cócegas e uma bagunça gostosa que só com você faz sentido. logo eu, que sempre me orgulhei de tanta organização, agendas, pontualidade, planejamentos e listas, agora me pego sorrindo ao lembrar dos atrasos no trabalho por conta daqueles "cinco minutinhos a mais" nos seus braços ou das vezes em que me vi totalmente despenteada  depois de uma sessão de ternos beijos e cafunés... assim como o azul naturalmente saturado de um céu de verão, nosso amor é intenso. sustenta o mundo e o transforma num peso leve, colorido, agradável e manso. tão manso quanto a sensação que me toma ao perceber que, mesmo sempre tendo certa facilidade para transformar sentimentos em palavras, a única definição que consigo para o que sinto por você, com você, em você, é amor. assim, simples, manso, sereno como a cor lilás. tão sereno quanto a entrega nas palavras cantadas em meio a uma multidão, gritadas de peito aberto ou só sussurradas numa confissão, num sobressalto : "sou sua. você é meu.". serenas pois não soam como um atentado, como se meu peito fosse um prisioneiro e você, o algoz. não, o nosso amor é uma arma silenciosa que não ataca, pelo contrário. nos defende contra as cores pálidas, os tons de tristeza, medo, solidão. o nosso amor é feito das mais radiantes cores, pintando nossa história em aquarelas vívidas, fazendo os nossos caminhos verdejantes e floridos, em milhares de tons de alegria numa tarde no parque, doçura numa noite de sono tranquilo, tesão nos pelos da nuca trêmula e da carne latejante, e amor. amor em todos os instantes, em todos os caminhos, em toda sua onipresença. tons de vida, êxtase, atenção e paixão. tons de amor, que nunca presenciei antes, se mostrando logo pra mim, que prometi mil vezes nunca mais tentar reconhecer um amor antes que ele se mostrasse (e ele nunca se mostrava). e você se mostrou. e você ficou. e você fica. o instante se dissipa num piscar de olhos, logo noto que o café continua lá, agora gelado, e meu coração permanece aqui e aí, quente. o instante se vai e ficam as cores, todas elas, misturadas ou puras, mas sempre prontas para novos traçados.

2013-12-24

le temps

é doce, o tempo de te esperar. 
alimentar a esperança de te ter em meus braços
suprimir as lembranças e mágoas do que já fomos
encontrar seus lábios salgados de lágrimas, como em despedida
te dizer "olá", como quem diz "adeus"
é amargo, o tempo que jamais retorna
quando nossos cabelos se emaranhavam nos seus lençóis
a cor de vinho do teu batom sujava a gola das minhas camisas
e a marca dos teus dentes carimbava os meus seios
é delirante, o tempo que ainda resta
em que te ver com a outra, tornou minha rotina pífia
em que, em devaneios, me deparava com seu corpo nu ao lado da janela
como que um convite à noite
como que um retrato insustentável
feito de memórias e representações subjetivas
é quase que fúnebre, o tempo futuro
acalmar a paixão fervente e acalentar a saudade morna
conformar-me com sua compaixão
esperar a leveza do esquecimento, 
certa que ele sempre vem
mesmo que em prazo indefinido
ainda que sem uma promessa válida
ou só pela ideia de me despir desse amor.

2013-12-15

menina

você era a definição mais próxima de paraíso que eu já encontrei. eu fico repetindo isso mentalmente enquanto você despeja toda a sua raiva em mim. enquanto você esquece dos planos que fez comigo. enquanto você desperdiça minha boa vontade em te fazer massagens quando você chega cansada do trabalho ou quando eu preparo o jantar. eu fico repetindo isso mentalmente porque ainda quero me agarrar a ideia de que ainda somos aquele casal apaixonado de algumas centenas de dias atrás, de que nossos olhos ainda brilham ao se cruzar, de que nossos caminhos ainda são paralelos ou ao menos levam ao mesmo destino. e agora você me sufoca em indiferença. você me trata como um qualquer. e eu me esquivo, me protejo como posso, mas nós dois sabemos que sou mais frágil do que pareço ser. apesar da minha idade, apesar da minha experiência, sempre caio como um patinho em armadilhas plantadas por garotas como você. de sorriso doce, olhos meigos e delineados, boca em formato de coração, ombros estreitos, clavícula devidamente simétrica e delicada, cabelos longos... e eu, que me apaixonei pela sua doçura, hoje só me deparo com seu amargor. você me machuca, menina. você me machuca. gosto tanto de você que essa dor me atinge como uma fratura exposta. e quanto mais eu tento me curar, mais você cutuca minhas feridas, mais você me derruba de novo e, de novo, eu me levanto, para mais uma vez você me machucar. o que houve com aquele amor que você me dedicou um dia? o que houve com os laços que criamos, com o carinho que dedicamos, com os nossos segredos e cumplicidade? só restaram cicatrizes. e eu continuo aqui, sentado na beirada da cama como criança de castigo, observando em slow motion suas reclamações do que antes você chamava de charme, enquanto ouço nossa música tocando em meus pensamentos. fecho os olhos na esperança de que, quando abri-los novamente, eu me depare com você deitada na cama vestindo aquela velha camiseta dos stones que eu te dei, me chamando para dormir de conchinha, me dizendo para esquecer essas bobagens. eu continuo aqui, na esperança que você se lembre de que foi apaixonada pelo mesmo cara que está na sua frente hoje, mas se ocupou demais com futilidades e se esqueceu de quem ele é.