2009-02-03
perder-se também é caminho.
- Eu não te amo, entenda. Não posso amar você. Não consigo.
- É, eu sei.
- Se sabe, porque me pede para ficar?
- Porque eu quero te ajudar.
- Mas eu sou feliz assim...
- Não, você não é.
- ...
- Você é apenas uma linda garota com um coração vazio.
- Você está me magoando.
- Eu sei.
- Me deixa ir.
- Me deixa te ajudar. Me deixa te ensinar...
- Não. Não quero.
- ?
- Amar dói e encontrar o amor, dói mais ainda.
- Entendo...
- Se perder também é caminho.
- É, eu sei.
- Se sabe, porque me pede para ficar?
- Porque eu quero te ajudar.
- Mas eu sou feliz assim...
- Não, você não é.
- ...
- Você é apenas uma linda garota com um coração vazio.
- Você está me magoando.
- Eu sei.
- Me deixa ir.
- Me deixa te ajudar. Me deixa te ensinar...
- Não. Não quero.
- ?
- Amar dói e encontrar o amor, dói mais ainda.
- Entendo...
- Se perder também é caminho.
2009-01-28
um peito oco, sem inspiração.
sabe, esta é a milésima vez que digito coisas idiotas e apago.
acho que falar sobre nada é tão interessante.
então falemos sobre o nada.
melhor do que falar sobre o amor, a dor, a pancada.
melhor do que falar sobre filosofias baratas ou caras.
melhor do que qualquer coisa que distraia qualquer um por um segundo sequer.
brindemos a falta de assunto, a falta de apetite, a falta de amizade.
comemoremos aniversários passados, datas esquecíveis e pontos facultativos.
façamos nada e deixemos que o nada nos invada por inteiro.
vivamos o nada.
amemos o nada.
logo, seremos nada.
acho que falar sobre nada é tão interessante.
então falemos sobre o nada.
melhor do que falar sobre o amor, a dor, a pancada.
melhor do que falar sobre filosofias baratas ou caras.
melhor do que qualquer coisa que distraia qualquer um por um segundo sequer.
brindemos a falta de assunto, a falta de apetite, a falta de amizade.
comemoremos aniversários passados, datas esquecíveis e pontos facultativos.
façamos nada e deixemos que o nada nos invada por inteiro.
vivamos o nada.
amemos o nada.
logo, seremos nada.
2008-12-10
o próximo trem já vai chegar e eu ainda estou esperando alguém vir para me dar "tchau". ah, eu nem trouxe um lenço. eu devia ter um lenço. para poder acenar do trem, sabe. olha, estou ouvindo o barulho do trem. as árvores balançando com o vento. o sino anunciando a chegada. as pessoas começam a se despedir. é hora do adeus. e eu nem tenho alguém para me dar um abraço. para dizer "volta logo". o trem chegou. e agora, o que é que eu faço? subo, ué. ele vai diminuindo a velocidade, parando, parando... pronto, parou. o maquinista olha os passageiros subindo. olhos caídos, face cansada. há quanto tempo ele está dirigindo esse trem? não sei. um homem vai recolhendo os bilhetes, carimbando-os. os passageiros entrando. está na hora. eu tenho que subir também. o sino tocando mais forte agora. o homem agilizando os passageiros, o trem precisa partir. preciso subir. tenho que subir. um homem idoso vem correndo do outro lado da plataforma e pede que o homem do blihete espere. ele fala para o homem vir mais rápido. mas o outro é tão idoso. como ele vai correr mais rápido? não sei. o homem idoso entrega o bilhete todo amassado ao outro homem. ele olha o bilhete, carimba e manda o homem subir. o homem me olha com uma cara estranha. eu estou chorando! meu Deus, eu estou chorando e nem percebi! o homem me pergunta se eu vou subir. minha boca não se abre. não consigo responder. minhas pernas, paradas, estáticas, imóveis. o homem me ignora. e vai. o trem começa a se mover lentamente. acelera pouco a pouco. parentes e amigos choram a partida de pessoas que acenam com lenços à janela. a plataforma vai se esvaziando. e eu fiquei. como assim? não sei. fiquei. o orelhão da plataforma toca. não há ninguém ali. eu atendo. - alô, destino? desculpa, vou me atrasar. permaneci ali, por horas. então, subitamente, aparece alguém. - tem alguém vindo - meu alguém falou. estou vendo. - não há nada ali para ser visto. desculpa. chegou tarde demais.
adeus.
o próximo trem já vai chegar e eu ainda estou esperando alguém vir para me dar "tchau". ah, eu nem trouxe um lenço. eu devia ter um lenço. para poder acenar do trem, sabe. olha, estou ouvindo o barulho do trem. as árvores balançando com o vento. o sino anunciando a chegada. as pessoas começam a se despedir. é hora do adeus. e eu nem tenho alguém para me dar um abraço. para dizer "volta logo". o trem chegou. e agora, o que é que eu faço? subo, ué. ele vai diminuindo a velocidade, parando, parando... pronto, parou. o maquinista olha os passageiros subindo. olhos caídos, face cansada. há quanto tempo ele está dirigindo esse trem? não sei. um homem vai recolhendo os bilhetes, carimbando-os. os passageiros entrando. está na hora. eu tenho que subir também. o sino tocando mais forte agora. o homem agilizando os passageiros, o trem precisa partir. preciso subir. tenho que subir. um homem idoso vem correndo do outro lado da plataforma e pede que o homem do blihete espere. ele fala para o homem vir mais rápido. mas o outro é tão idoso. como ele vai correr mais rápido? não sei. o homem idoso entrega o bilhete todo amassado ao outro homem. ele olha o bilhete, carimba e manda o homem subir. o homem me olha com uma cara estranha. eu estou chorando! meu Deus, eu estou chorando e nem percebi! o homem me pergunta se eu vou subir. minha boca não se abre. não consigo responder. minhas pernas, paradas, estáticas, imóveis. o homem me ignora. e vai. o trem começa a se mover lentamente. acelera pouco a pouco. parentes e amigos choram a partida de pessoas que acenam com lenços à janela. a plataforma vai se esvaziando. e eu fiquei. como assim? não sei. fiquei. o orelhão da plataforma toca. não há ninguém ali. eu atendo. - alô, destino? desculpa, vou me atrasar. permaneci ali, por horas. então, subitamente, aparece alguém. - tem alguém vindo - meu alguém falou. estou vendo. - não há nada ali para ser visto. desculpa. chegou tarde demais.
2008-11-26
quem sou eu?
poeta, cronista, universitária. amante da língua portuguesa, literatura moderna, teatro e artes plásticas. vive um balé sem fim. louca, louca, louca. tão louca que chega a ser sã. e vive. quase esqueço de dizer que vive. vive por aí, por aqui, por acolá. não engana ninguém, nem conseguiria, não é capaz de enganar a si própria. desagrada a maioria mas nem liga, não faz parte da maioria mesmo. é jovem mas é tão antiquada. é moderna mas é tão classisista. é perfeccionista mas tão errante. bem assim, em resposta, uma questão.
2008-11-07
fiquei ali sentada, olhando as pessoas que iam e voltavam. tanta gente. tudo tão cheio e eu aqui, com esse vazio no peito, na mão, na alma. com meu notebook aberto, pesquisando palavras aleatórias e encontrando significados para te contar. eu li sobre tudo, coisas banais, idiotas, mas fiz para te agradar. e, se seu vôo não tivesse se atrasado, eu estaria lá quando você chegou. mas eu estava tão cansada, eu estava... ah, exausta. fui buscar um copo de café, umas torradas, chocolates, sei lá. questão de vinte minutos. voltei e você estava lá. tanto tempo sem você. tanto tempo sem mim. eu não tinha o quê fazer. não sabia. então te abracei. você é a mais perfeita reação para as minhas ações sem sentido. te fiz derrubar o casaco no chão e te abracei. queria te abraçar para sempre. eu queria estar te abrançando até agora. e o seu perfume ficou na minha blusa de lã. e, olha só, estavámos os dois de vermelho em lã. oscar de olr te deixa misterioso, gosto desse cheiro. você me deu um beijo no pescoço. minhas pernas estremeceram. logo eu, que não sou de me render, me perdi em você. não é justo você ser tão encantador. não é justo o seu olhar me dar conforto. não é justo, eu sei. eu preciso te confessar uma coisa: penso em você antes de dormir. penso em você quando acordo e enquanto escovo meus dentes, penteio meu cabelo e tomo meu café. hoje cedo, me peguei novamente pensando em você. desde que eu descobri que você também gosta de geléia de damasco e biscoitos de maizena com nutella, fico pensando em você no meu café da manhã. peguei o seu casaco caido no chão, você me deu sua mão e eu te dei a minha. pegamos a sua mala e andamos até a saída. madrugada fria, eu caindo de sono e você ali, sentado paciente, enquanto eu passsava o destino ao taxista. seu cabelo estava bagunçado, você deve ter dormido no avião. acho que eu estou mesmo apaixonada. fiquei te esperando quatro horas e meia. mas você chegou. você veio. e continua aqui, mesmo ausente.
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